segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Como desenhar a figura humana? - Novas perguntas, respostas antigas



No Sábado visitámos o Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém. Gosto sempre de visitar aquele museu, e a entrada é grátis.

Detive-me a observar a forma como o ser humano é representado pelo seu semelhante. Tal como cada um de nós é único, também é única a concepção do outro; no entanto, queremos partilhar da representação mais aceite da figura humana, talvez para sentir que pertencemos, ou que vemos de determinada forma.


Quando aprendemos arte, aprendemos regras, com a intenção de dar uma perspectiva mais realista e genérica da figura humana, distanciamo-nos desta nossa particular visão e da nossa forma única de ver e de representar. Para novas perguntas, respostas antigas ‘a cara desenha-se assim, divide-se assado, as orelhas começam à altura dos olhos e terminam no alinhamento do canto da boca'.

Esta aprendizagem é importante porque para saber distorcer é importante manter a perspectiva do objecto real, mas a partir de um certo ponto tem mais valor fechar os olhos para ver; pensar na tua visão interior, moldada pela tua experiência e sentimento, saber transcrever essa visão para a arte, é isto que eu vejo, é a minha percepção.

Tal como é diferente inventar uma música na minha cabeça ou saber compor uma peça, também saber todas as regras para representar a figura humana é diferente de representar a minha visão particular do humano, a minha representação do real, pessoal e única, porque a minha realidade não é igual à de mais ninguém.

Reconhecemos sempre que vemos Da Vinci, Picasso, Dalí, porque a sua representação era a sua concepção, o seu estilo.

Da mesma também reconhecemos José Saramago, Rui Zink, Florbela Espanca quando lemos obras suas, a arte é a (trans)figuração do real, a realidade passa por nós e sai interpretada. A visão interior e interpretação do real aplicam-se a todas as áreas artísticas, e é daí que advêm os grandes talentos, pela forma como expõem a sua interpretação.

Para o teu trabalho ser memorável, para que a tua voz seja ouvida entre a de muitos, tens de encontrar essa voz, e essa interpretação, o teu estilo. E basta apenas procurar dentro de ti.

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