segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Diários Gráficos - encontrar a inspiração sem te deixares intimidar pelos materiais

Quando comecei a desenhar usava um papel quase centenário, que de tão velho já estava amarelo, e uns lápis de escritório que nem sabia se eram HB ou outra letra qualquer.

Desenhava nas costas de envelopes usados e nos cantos das facturas da luz e da água.

As pessoas que percebem disto mais do que eu começaram a explicar-me que seu eu usasse materiais melhores, teria resultados melhores, e aí entrei no mundo dos mil tipos de papel que existem para desenhar!

Nem sabia para onde me virar! Perguntei numa loja de artes e comprei o que me aconselharam, e uns lápis como deve ser também.

Cheguei a casa e aquele papel branco estava ali a olhar para mim...Era papel de loja de artes! E eu como não era artista achei que aquilo era demais para mim! (Isto vindo de uma pessoa que pintou a óleo durante vários anos até parece esquisito, mas posso garantir: pintar não é desenhar, e há quem faça uma sem saber fazer a outra! Ou as vossas crianças não costumam colorir livros de pintar?)

Continuei a desenhar no meu papel centenário e nas costas de envelopes e tudo e tudo. De cada vez que limpava o escritório, fazia deslizar todos os meus desenhos para o cesto de papeis, e eram graciosamente reciclados. Disto se fez uma artista wanabe durante muitos anos!

Mais tarde, a pedido e muitas famílias, achei que deveria guardar alguns desenhos para a posteridade, e a forma mais organizada de o fazer seria um Diário Gráfico. Isto foi coisa recente! Mais ou menos desde 2008. Comprei um caderno de capa preta sem linhas e fui desenhando ali. Como o caderno era dos baratos, o medo depressa se dissipou e tornou-se prática habitual.

Uma página do diário de Frida Kahlo 
Com esta experiência percebi que para uma utilização mundana não precisamos de ferramentas da melhor qualidade, nem de pigmentos de artista e pincéis de marta, o que nos faz falta é despreocupação e para nos soltar a veia artística precisamos de não recear os materiais, e experimentar muitos diferentes, então mais vale ir até à loja dos 300, (lembram-se?) e comprar umas aguarelas escolares, umas canetas normais de escrever, uns lápis de cor e uns de grafite, um caderno ranhoso e mais umas coisas giras só para experimentar.

Com isto dá para pintar e desenhar todos os dias com um custo diário ridículo, em tempo de crise, é bom ser-se poupadinho!

Para ter um domínio de qualquer matéria, são necessárias cerca de 10000 horas de prática nessa matéria. Se desenhares quase três horas por dia, todos os dias, durante dez anos, tá feito!

Atlier de Picasso em La Californie, alvo de inúmeros estudos
e obras durante esse período da sua vida.
Não é a lêr livros sobre artistas, nem a ver museus e exposições, se bem que as duas contribuen grandemente para a tua cultura e conhecimento e devem ser feitas. Mas prática é pôr as mãozinhas à obra, é desenhar, pintar, experimentar materiais, ter ideias e explorar as várias formas de as colocar em prática.

Então para quê usar materiais de alta qualidade nas primeiras 10000 horas? Bem, fica ao critério de cada um, mas por muito boas que sejam as tintas e meios que usas, o importante é produzir uma grande quantidade de esboços e estudos que te vão levando ao teu prórpio estilo e à descoberta de todas as tuas opções. Com o tempo descobres que tipo de materiais gostas mais, e aí será altura de experimentar melhor qualidade e produzir trabalhos finais.

Observa esboços e estudos de vários artistas, há trabalhos fantástico com canetas de escritório, lápis de cêra, barro do campo, etc

Nos primeiros tempos, o importante é explorar.

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